Vida e poesia: a condição do poeta

Um poema

que não se entende

é digno de nota

 

a dignidade suprema

de um navio

perdendo a rota

Leminski

 

 

A poesia como gesto de resistência à utilidade imposta pela sociedade capitalista. Para quê serve? Não há tempo para ler e fazer poesia, pois esta não nos serve para nada, não nos dá uma rota. Leminski dizia que ser poeta na adolescência era fácil, o difícil era alguém acreditar na poesia aos 22, 25…40 anos.

Esse espaço para criar e brincar com a linguagem só pode ser tocado pelo poeta, essa figura dita por Leminski como alguém que possui uma espécie de “erro na programação genética”. O lugar do poeta na sociedade (que Leminski ocupa e faz questão de se colocar) é à margem, ou melhor, à margem da margem, pois ali, neste espaço de errância (possibilidade do erro), ele é capaz de enxergar a crise e é aí que sua poesia se dá.

No vídeo abaixo, intitulado “Ervilha da Fantasia”, um documentário exibido na tv em 1985, Paulo Leminski vai falar da poesia como “a própria razão de ser da vida”. O poeta nos dá a ver em seus textos e sua fala essa impossível limitação entre vida e arte.

 

[Beatriz Matos]

 

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